Bom, não é novidade para ninguém que a América do Sul está enfestada de políticos de esquerda, populistas, nacionalistas, anti-imperialistas, interventores e ao mesmo tempo corruptos.
Nos últimos dias, um país em especial chamou a atenção no subcontinente pela sua movimentação política. E é claro que estamos falando de um dos países mais polêmicos da região: a Bolívia.
Evo Morales, que entrou no poder com grandes promessas às comunidades indígenas daquele país, já mudou a constituição da Bolívia, promoveu uma verdadeira reforma institucional interna, forçou a estatização de inúmeras empresas estrangeiras que estavam atuando dentro de suas fronteiras, estatizou toda a produção de energia e segue com ainda mais projetos de reformas.
De domingo para cá, dois é o número de ministros que pediram para sair do governo. O motivo, como não podia deixar de ser, envolve um sonho do Brasil e investimentos de uma empresa brasileira com financiamento do BNDES. Estou me referindo a uma das maiores obras de infra-estrutura da região, a rodovia transoceânica que visa integrar Peru, Bolívia e Brasil.
Todo o problema desta semana se deu por conta de um excesso de força por parte da força policial boliviana contra os protestantes indígenas, que pediam pacificamente pelo encerramento imediato da obra. O fato é que realmente a rodovia passaria pelo meio de uma reserva indígena na Amazônia boliviana, uma área que deveria ser preservada pelo governo daquele país.
E para piorar a situação de Evo, apesar daqueles territórios serem controlados por tribos indígenas, que geralmente o apoiam, aqueles departamentos recentemente haviam planteado sem sucesso por mais autonomia política, o que tiraria parte dos poderes do governo central de La Paz. Em outras palavras, a região que está protestando contra a obra é dominada pela oposição.
Os "índios ativistas", que no final de semana haviam sido presos e agredidos pelos policiais bolivianos enquanto marchavam em direção à capital, voltaram rapidamente às ruas nessa segunda-feira e continuaram com os protestos. Já o presidente Morales, desmoralizado com toda a dimensão que tomaram os protestos, finalmente mandou que fosse parada a tal obra e que o projeto fosse "renegociado". Mais ainda, pediu que fosse aberta uma sindicância para apurar os abusos cometidos pelos policiais, que, segundo ele, de forma alguma haviam sido ordenados pelo seu governo.
O diálogo que Morales propôs para definir de uma vez por todas o futuro da obra está previsto para durar de seis meses a um ano. Se tudo correr da forma mais esperada, esta negociação está fadada à vitória dos índios e a rodovia será novamente atrasada. E mais uma vez uma empresa brasileira é vítima de acordos mal acertados e ligada a más práticas corporativas em países sulamericanos.
O meu ponto neste post é: quando será que as nossas empresas vão saber reconhecer melhor o valor de uma boa análise política aplicada aos negócios? Quando será que a maior parte das nossas empresas dará o real valor a um trabalho de relações institucionais internacionais? A EBX já foi expulsa da Bolívia; a Odebrecht já foi expulsa do Equador; a Camargo Corrêa, a Queiroz Galvão e a Andrade Gutierrez acabaram tendo que sair recentemente da Líbia... Quantas mais virão?
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