1) O é a Somália?
Para quem não sabe, a Somália é um país que fica na região conhecida por “chifre da África”, é o resultado da fusão de duas colônias (uma inglesa e a outra, italiana) e é um dos países mais homogêneos do continente. A sua localização entre a África árabe, o Oriente Médio e a África subsaariana é ainda aliada à grandes reservas de petróleo e uma terra considerada excelente para o cultivo de café e de banana.
Sobre a guerra que vem ocorrendo há vinte anos, o problema não é tribal. A natureza da guerra civil somaliana é diferente daquelas vistas nos demais países; talvez por isso seja tão difícil se chegar a uma solução. E, claro, como sempre, as coisas foram muito agravadas com toda a influência estrangeira (para não parecer esquerdista radical, vindas dos EUA e da China).
Em rápidas linhas, pois este não é a razão deste artigo, no meu ponto de vista a guerra civil alí é uma senhora batalha de civilizações. Existem aqueles que querem algo mais ocidentalizado e aqueles que buscam a islamização completa do território. Vale lembrar há anos que a Shar'ia é usada como base jurídica na Somália. Segundo especialistas, porém, só é realmente aplicada em casos relacionados à família (por exemplo em casos de divórcio, adultério e herança). Na região sul do país, são os mais radicais quem estão ganhando espaço (grupo conhecido como Al-Shabaab)
Logo com o início da guerra civil em 1991, os EUA intervieram direta e indiretamente até, vamos dizer, 95 (via ONU e Etiópia). Depois de uma intensificação da guerra, o país foi deixado à própria sorte por aqueles que haviam se envolvido, só voltando a ser assistido depois dos ataques de 11 de setembro. Resultado, com a economia -que já não era forte, – destruída, um exército fraco e um governo simbólico, a Somália é há décadas um país demasiadamente exposto a crises humanitárias (relacionadas à fome)...
2) O que aumenta a probabilidade de fome na Somália?
2.1) Por conta da ausência de um governo forte e toda a questão relacionada à religião praticada naquele país, passou-se a considerar a possibilidade da região tornar-se um lar para talibãs. No entanto, ao invés de cativar os locais com ajudas humanitárias bem coordenadas e maior cooperação técnica vinda de fora, o caminho escolhido pelas potências, segundo analistas, foi financiar “warlords” na guerra contra a islamização da Somália.
2.2) Além disso, há tempos que a China mostra interesse em se aproximar da Somália. Há quem diga que aquele país é o principal na agenda internacional chinesa para os próximos anos, justamente pela sua localização tão estratégica e pela abundância de recursos naturais ainda por serem explorados. Parte da mídia internacional indica que a crise de fome vivida atualmente é parcialmente explicada pela mudança na agricultura que os chineses manipularam recentemente na região.
Isto é, no últimos anos a produção vem priorizando o mercado externo e expulsando pessoas do campo, causando assim a redução das reservas de grão na Somália e aumentando a miséria nas cidades daquele país.
3) Outros fatores que complicam a situação:
3.1) A Somália tem sido o berço de organizações consideradas terroristas desde que deixou de poder oferecer condições básicas de sobrevivência às comunidades. Pesquisas mostram claramente que grupos radicais do islã ganharam espaço na sociedade somaliana na medida em que puderam oferecer alguns serviços básicos que o Estado não oferecia. Vale grifar que todas as variáveis levam a acreditar que a Al-Qaeda não atue por lá. Experiências passadas mostram pouca aceitação somaliana perante a Al-Qaeda - que era considerada pela população tão estrangeira quanto as tropas dos EUA - e a geografia daquela região do mundo não oferece boas condições de esconderijo.
3.2) A Al-Shabab, recentemente culpada por dificultar a entrada de ajudas humanitárias, é justificada por alguns na medida em tentam coibir a politização das doações. Ao mesmo tempo em que algumas agências internacionais foram expulsas dos territórios dominados por este grupo, sete outras ainda têm liberdade para atuar. Segundo um jornalista somaliense em Londres, a questão é mais relacionada a de onde vem a ajuda.
3.3) Os distribuidores locais terceirizados pela ONU são suspeitos. Não foi nada inesperado o desvio de ajudas humanitárias para mercados de Mogadishu, enquanto deveriam seguir para os campos de refugiados ao sul da Somália. Ao contrário, as empresas contratadas para realizar a logística da entrega já haviam sido alvos de investigação de corrupção em 1992, quando a guerra civil tinha apenas começado. Segundo consultores internacionais, seria mais inteligente e eficiente contratar empresas menores, que são menos dadas à corrupção, têm maior aceitação e ajudam a integrar as comunidades locais ao processo.
4) Além de tudo, há o que não se pode controlar...
4.1) Infelizmente, o clima somaliense e do resto do chifre da África não é a maior das qualidades daquela região. O clima varia entre árido e semi-árido, que aliado ao pouco conhecimento técnico daquela população, deixa poucas saídas para as comunidades locais. Antigamente as secas aconteciam de oito em oito anos; mas de tempos para cá, a periodicidade caiu para a cada dois anos. E ainda há quem diga que a aceleração do aquecimento global é teoria da conspiração...
4.2) Ainda neste ano, mais que nos outros, a seca foi intensificada pelos efeitos do fenômeno “La Niña”, que tornam as chuvas mais raras no nordeste africano.
5) Manifeste a sua solidariedade ao problema da fome na África.
Doe qualquer quantia para a ACNUR, para a UNICEF, para a os Médicos Sem Fronteiras ou para qualquer outra organização que seja de confiança reconhecida internacionalmente.


Na África em que eu estive, um pouco abaixo da Somália e consideravelmente menos assolada pela fome e miséria, mas nem de longe a salvo dessas duas mazelas, a cooperação era algo que ocorria, na imensa maioria das vezes, através de interesses. Antes de se pensar em potências internacionais e em seitas islâmicas de repúdio a elas, destaco a questão 3.3 como a primeira de todas de uma série. Ali, cada um corre atrás do seu. A fome alheia é o de menos.
ResponderExcluirCara, por incrível que pareça e por menos que a gente queira acreditar, é fogo como cada vez mais a gente tem provas de que o homem é lobo do homem... Passei um tempo indo pra Friburgo para ajudar na distribuição de cestas básicas, o que mais tinha era desvio! por mais que a ong que eu estivesse ajudando fosse super honesta, sempre tinha um muquirana local que fazia coisa errada e tentava puxar a sardinha pro lado dele! =/
ResponderExcluiros seres humanos sao fdp por natureza, isso pode ser visto desde o inicio da historia. por isso q democracia é o melhor sistema q ja inventaram! é o unico sistema q vc so pode se dar bem ajudando a sociedade. n sei se vc se lembra mas falo isso desde os tempos de CSI e quando eu comecei a facul aqui descobri q esse era um dos principios mais basicos de economia.
ResponderExcluir"Every individual neither intends to promote the public interest, nor knows how much he is promoting it but by directing that industry to its greatest value, he is led by an invisible hand to promote an end which was not part of his intention" First Welfare Theorem