Para começar este post, gostaria de explicar um pouco do que vou escrever nos demais parágrafos. Antes que pensem alguma coisa, queria deixar claro que as minhas análises não pretendem ser tão profundas. Além de não ter conhecimentos técnicos o suficiente para fazer muitas dessas análises, esse nunca foi o propósito de um blog... Então, resumindo, aqui eu vou me propor a falar um pouco do que aconteceu recentemente na política externa brasileira; principalmente em relação ao IBAS, ao FMI e à ONU.
Então o Brasil recentemente tem entrado em várias siglas... Seja ela o BRIC, o IBAS, o G-20, ou qualquer outra, isso nos mostra uma série de coisas: (1) que o nosso sonho que ocupar um papel de importância no cenário internacional poderia finalmente estar se concretizando; e (2) que a nossa estratégia diplomática parece não estar agradando tanto.
A nossa “presidenta” (como ela gosta de ser chamada) acabou de participar na África do Sul da 5a cúpula do IBAS, grupo informal que envolve Índia, Brasil e África do Sul. Como já se era de esperar, mais uma vez o resultado da reunião foi uma extensa e bem superficial lista de intenções de cooperação e de posições comuns a serem adotadas no futuro, como no próximo encontro do G-20 na França ainda em 2011.
Sinceramente, começo a pensar que até os nossos tradicionais parceiros estão nos vetando no corredor da fama. Com a nossa performance econômica e a nossa blindagem adquirida, poderíamos muito bem aumentar um pouco a nossa influência no mundo. Como no governo brasileiro não há bobos pensando em política externa, é exatamente isso que estamos buscando (já há um tempo)! Temos parte do dinheiro que poderia ajudar alguns países mais desenvolvidos e estamos nos propondo a emprestar. Tudo bem, queremos apenas parte dos títulos bons e não nos propomos a resgatar ninguém de graça. Não importa. A verdade é que com ou sem o FMI, os países europeus estão sendo obrigados a engolir significativos planos de austeridade e todo mundo está reclamando.
Escapando um pouco do tema do IBAS, hoje mesmo a Moody's estudou reduzir a nota da dívida da França. O fato é que cidadãos alemães e franceses estão tendo que pagar a crise grega e por isso estão também entrando na berlinda. Os governos europeus estão socorrendo seus bancos privados e apertando cada vez mais a corda no pescoço dos cidadãos. E os bancos, que pelo menos na Europa estão sendo um pouco mais regulados, tentam de todas a formas lutar para não demonstrar fraqueza. Isto tudo porque os investidores, ao enxergarem a menor possibilidade de risco, fogem do sistema mais rápido que a luz e produzem mais barulhos que uma manada. E é esse efeito manada no sistema financeiro de um país que, como todos sabem, leva em pouco tempo um país abaixo. De qualquer forma, a conclusão da Moody's foi pela manutenção da nota francesa. Ainda assim, ficou o aviso: as agências de rating estarão de olho.
Sinceramente, na minha opinião os bancos deveriam ter que pagar alguma coisa também. Ou pelo menos que os Estados começassem a trocar ajudas por ações ordinárias (as que dão direito de participação na tomada de decisões). Aliás, essa não é apenas a minha opinião. O Brasil vem defendendo isso no G20; a França idem; e ontem mesmo o Conselho Europeu defendeu a mesma coisa. Além desses, os mais recentes movimentos populares (tipo o Occupy WS), que para muitos não apresentam nenhuma mudança clara, também fazem uma alusão a algo parecido.
Enfim, mas de volta ao IBAS, o grupo também discutiu hoje temas bem atuais de High Politics discutidos no âmbito da ONU. E o mais interessante foi ver que os três concordaram acima de tudo em respeitar as soberanias dos países mais em voga. Ao mesmo tempo em que seguiam a tradição de saludar os anseios democráticos daqueles povos envolvidos, nem mencionaram o nome de Bashar, ou o CNT da Líbia, ou a atual situação do Iêmem. Vale lembrar que tanto a Índia como o Brasil e a África do Sul se abstiveram na última votação com respeito à Síria no Conselho de Segurança; e que os três também foram reticentes quanto à “invasão ocidental” da OTAN na Líbia no primeiro semestre. Então acho que a nossa posição quanto aos Direitos Humanos e a Democracia no oriente está bem definida, não é verdade?
Agora, há algo novo e que merece também a nossa atenção antes de fazermos um julgamento final da nossa presidenta em relação ao tema dos Direitos Humanos. Ainda na semana passada o Brasil criticou abertamente a Venezuela (ainda que de forma suave) por algumas questões que também têm a ver com o mesmo assunto. Mais especificamente, criticamos o tratamento dado aos jornalistas naqueles país e a independência inexistente do poder judiciário.
Indecisão a nossa? Não necessariamente. O Brasil realmente precisa de um apoio mais amplo da população latinoamericana (se é que quer atingir seus objetivos regionais e globais). E uma crítica “delicada” assim bem que poderia ser útil como um lembrete dos discursos iniciais de Dilma Roussef a favor dos direitos universais da pessoa humana. Isto é, fora que a situação da democracia na Venezuela é muito mais clara para todos nós do que os movimentos populares no chamado mundo árabe.
Agora, ontem na África do Sul os líderes do IBAS também voltaram a bater numa tecla bastante importante para a nossa política externa, ainda que um pouco distante de ser concretizada e definitivamente muito pouco popular: a construção conjunta de dois microssatélites e o avanço dos estudos espaciais.
Para alguns, isso pode parecer um tanto lunático; no entanto, há anos que o Brasil vem buscando um maior grau de autonomia tecnológica e mais contato com parceiros pouco tradicionais. Aliás, a construção desses satélites não só nos colocaria no hall dos países de alta tecnologia espacial, o que para muitos pode não significar nada; mas também nos daria finalmente a possibilidade de usar tecnologia e equipamentos próprios para fazer pesquisas e monitorar o nosso tempo. Pela primeira vez não precisaríamos alugar satélites nem depender dos outros eventos do continente para obter informações relevantes sobre o nosso clima ou sobre a nossa geografia.
Mais ainda, talvez ainda houvesse a possibilidade de o Brasil passar a fornecer informações ao resto dos países sul-americanos e Africanos. Assim, talvez isso represente um novo grau de integração regional a ser alcançado e para não dizer, uma dependência a menos dos países do norte.
Bom e é com essas reflexões que eu vou me despedindo... Espero que comentem!

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