Bom, Ben Ali da Tunísia saiu, Mubarak do Egito caiu, Gaddafi da Líbia foi morto e, bem no finalzinho, Saleh do Iêmen aceitou renunciar. Esses foram os resultados mais significativos a favor do povo e indicando mudanças de rumo realmente históricas.
Por outro lado, no Marrocos os protestos não duraram nem uma semana, na Argélia tampouco, no Omã a população quase não se levantou e na Arábia Saudita, nem se fala. No Bahrain a repressão foi sangrenta (contando inclusive com ajuda regional), talvez finalmente seja o próximo governo a cair, na medida em que os levantes voltam a acontecer.
E a Síria segue nesse imbróglio. Os rebeldes (de maioria sunita) cansaram de atender aos desmandos de um governo autoritário (xiita) que a cada dia se aproxima mais do Irã. Na medida em que quartéis são invadidos e que armas são roubadas, como já aconteceu não menos de uma vez, o risco de uma guerra civil torna-se iminente.
Vale lembrar que na Líbia aconteceu exatamente a mesma coisa. O quartel de Benghazi foi saqueado, a população se armou, se preparou e, poucos dias depois a cidade já estava “em chamas”. Mas a Líbia não é a Síria. A Líbia é um paizinho pouco habitado, isolado no norte da África, onde o governo contava com apoio somente de alguns outros países marginais.
Já a Síria tem uma conjuntura totalmente diferente. Para começar, dividi a sua história entre aliada e inimiga do ocidente. Ao mesmo tempo em que já expulsou o embaixador dos EUA de Damasco em 1957, atacou Israel em algumas oportunidades e insiste em não respeitar direito os Direitos Humanos; apoia de certa forma a luta contra a al-Qaeda, já aceita negociar com Israel e ajudou os EUA durante a guerra do Golfo.
Pois bem, na Síria o atual presidente Assad conta com o respaldo de um partido tradicionalíssimo (o Baath). Historicamente sunita, o Baath recentemente se voltou para o xiismo, talvez até perdendo um pouco de sua popularidade anterior. Mesmo assim, só este fato por si só já indica que a saída abrupta de Assad do poder deixaria um vácuo provavelmente preenchido por um governante do mesmo partido. Não se sabe, mas só especulando.
Além disso, a Síria tem um poderio militar bem razoável. Levar uma rebelião a cabo pode ter um grande obstáculo de entrada... Há mais cidades importantes e uma população maior que nos outrs casos de revoltas da primavera árabe. Uma guerra civil na Síria seria uma enorme confusão e um incrível banho de sangue. As proporções dessa guerra síria talvez ainda nem tenham sido vistas no Oriente Médio.
Enquanto isso, países menores se preocupam e se preparam para lutar.
A Turquia, vizinha do norte, já propôs a criação de uma zona tampão na própria Síria para impedir que cidadãos daquele país peçam asilo em Ankara – vocês entendem então um dos motivos pelos quais a Turquia ainda vai demorar muito a ser aceita na EU?
A Arábia Saudita, principal aliada dos EUA no Oriente Médio, tenta impedir que a Síria se alinhe ainda mais ao Irã e que machuque a população (mais pelo fato de ser sunita do que por preocupações relacionadas aos temas de Direitos Humanos). Nesse contexto, o Catar também já está com as forças armadas em sinal de alerta, somente esperando uma ordem do Rei para invadir a Síria.
O Irã, que vinha se aproximando do regime sírio, talvez exerça também um contra peso a favor do regime Baath. Ainda assim, o máximo que consigo imaginar são abastecimentos de armas e talvez apoio logístico. Acho forçado crer que Ahmadinejad mandaria o exército para a Síria. Mas vai ler a cabeça do persa!
Então está aí. Esse talvez seja o próximo caso sério a ser julgado no Conselho de Segurança.
Mas o que eu achava que ia acontecer, realmente aconteceu. A Rússia e a China vetam qualquer sanção à Síria no âmbito da ONU. Depois dos resultados pró-ocidente em território líbio, acho muito difícil agora eles cederem outra resolução ambígua que chame o “Direito de Proteger” para esse caso. Principalmente considerando que a Síria importa armas da Rússia e exporta petróleo para a China.
Nesse caso, na ONU acho que o Brasil deve continuar se abstendo, junto à Índia, à África do Sul e talvez à Alemanha. Não acho que esses países condenariam sanções à Síria, mas ao mesmo tempo, acho que eles não gostariam de estar tão intimamente envolvidos.
Como ficou decidido, a responsabilidade das sanções foi passada para a Liga Árabe...
Mas se há um fato que temos todos que concordar é que há fortes indícios de que uma intervenção estrangeira na Síria poderia levar à maior guerra da história árabe!
O que acham?

Caro colega, num momento de ateração "status quo" e de tensão por todo o mundo, como é o periodo momentaneo, existe outras prioridades para as supostas potencias.
ResponderExcluirNeste momento a Europa esta a passar por um momento de dificuldade e a principal preocupação são as dividas soberanas dos paises membros, Portugal, Grecia e Italia.
O problema de se alastrar ao resto da Europa esta a ficar mais cada vez mais uma certeza.
Os Estados Unidos neste momento apesar de tudo estao fragilizados, e o facto da NATO, ja ter intervido na Libia (apesar de para todos os efeitos ser como apoio as populações, uma agencia noticiosa anunciou que um "heli da nato teria atacado uma coluna onde seguia Kadafi") consegue-se perceber porque é um pais produtor de petroleo, e com grandes necessidades de contrução de infraestruturas.
Portugal até ao inicio da revolta tinha la muitos trabalhadores, tal como outros paises europeus, vamos ver a presença Americana na Libia, aquando do desenrrolar do processo de "ocidentalização".
É tudo uma questao de tempo este "SmartPower" Americano, é uma contenção de despesas, nada mais, porque quando houver mais tranquilidade eles vao voltar a aparecer.
Em relação ao Conselho de Segurança, o problema do VETO ja ta velho, desde 2005 que já se devia ter alargado o CS, inclusive e na minha opiniao o Brazil ja devia ter entrado para os membros permanentes tal como a India ou Japao, para mim sao dos mais viaveis.
Nao sei bem o que se passa com o Belo Monte, no Brasil, mas se esta a gerar tanta controversia vou ver, ou entao é algo para o colega postar.
Cordiais cumprimentos
Bruno Quintino RI/
universidade de Évora/Portugal
PS:gostei do mapa e bandeira só podem ser da Central inteligence Agency...ou tou errado??